— NÃO!
O som rasgou o ar antes mesmo de virar palavra.
O corpo de Valentina arqueou na cama, os músculos contraídos, a respiração descompassada como se estivesse fugindo de algo que ainda estava ali. O grito saiu inteiro, sem freio, sem consciência — um não que não era pedido, era defesa.
— Não… não… não…
A cabeça se movia de um lado para o outro, negando algo invisível. Os dedos se fecharam no lençol com força demais. O monitor respondeu, acelerado, como se acompanhasse o pânico que não cabia mais dentro dela.
Bip.
Bip.
Bip—bip—bip.
— Valentina! — a voz chegou perto, urgente. — Ei… sou eu. Bianca. Você tá aqui comigo.
Mas Valentina não estava ali.
Ela estava lá.
A lâmpada balançava.
Rangendo.
Rangendo.
O som entrava na cabeça como agulha.
O cheiro vinha primeiro — cigarro, ferrugem, poeira velha. O ar pesado. O gosto metálico na boca. O corpo no chão.
— Acordada ainda?
A voz surgia sempre do mesmo lugar: acima. Dominante. Divertida.
— Cinco horas, madame…
O tempo não existia mais. Só