O dia passou sem grandes acontecimentos — e, ainda assim, foi exaustivo.
Valentina comeu pouco, mas comeu. O estômago não rejeitou, o corpo apenas aceitou por obrigação. A fisioterapeuta a guiou em exercícios simples, quase constrangedoramente leves, como se ela fosse feita de vidro. Esticar. Respirar. Dar alguns passos pelo quarto amplo demais.
Tudo foi feito com cuidado excessivo.
Como se qualquer movimento errado pudesse quebrá-la outra vez.
Ela respondeu a perguntas básicas. Bebeu água. Tomou os remédios nos horários certos. Sentou-se perto da janela por alguns minutos e observou o jardim perfeitamente aparado, bonito demais para aquele estado de espírito.
Nada aconteceu.
E talvez fosse isso o mais inquietante.
Quando o sol começou a cair, o cansaço chegou de um jeito estranho. Não era sono. Era peso. Um peso acumulado nas costas, nos olhos, na cabeça. Como se o corpo estivesse tentando desligar enquanto a mente se recusava.
— É normal — disse Janete, a enfermeira, com voz tranqui