O quarto ainda carregava o silêncio frágil de quem tinha voltado do limite.
Valentina estava recostada na cama, os olhos semicerrados, o corpo cansado demais para sustentar qualquer emoção longa. Bianca permanecia ao lado, sentada na cadeira, segurando a mão da amiga como se, ao soltar, algo pudesse quebrar de novo.
O bip constante do monitor marcava o tempo.
A porta se abriu.
— Então… foi aqui que esconderam minha menina.
A voz entrou antes da presença.
Firme. Cheia. Donde vinha, ninguém ignorava.
Bianca ergueu o rosto no mesmo instante.
— Vovó…
Valentina piscou devagar.
O reconhecimento veio antes da surpresa.
— Vovó Kato…?
Ela entrou sem pedir licença — como sempre. Baixinha, postura impecável, cabelo branco perfeitamente arrumado, olhar afiado como lâmina bem cuidada. Parou ao lado da cama e observou Valentina com atenção absoluta.
Os hematomas.
O curativo.
A palidez.
O sorriso demorou a aparecer.
— Olha só… — murmurou, num tom baixo, contido. — Ainda bem que você é mais teimosa d