Valentina ficou alguns segundos olhando para o teto, depois que Lucas saiu do quarto, como se precisasse se convencer de que aquilo era real. O cheiro de hospital, o bip ritmado do monitor, a mão de Bianca ainda segurando a dela.
Tudo ali dizia que ela estava viva.
Mas o corpo não acreditava.
— Bi… — a voz saiu baixa, rouca, como se tivesse sido usada demais. — Eu não sei por onde começar.
Bianca não respondeu de imediato. Apenas apertou a mão dela com cuidado, ancorando.
— Começa do jeito que der. — disse. — Eu tô aqui pra ouvir tudo.
Valentina respirou fundo. O peito doeu.
— Eles me levaram muito rápido. — começou. — Eu nem entendi o que estava acontecendo. Um segundo eu estava andando… no outro eu estava no chão.
Ela engoliu em seco.
— Eu ouvi os tiros. Vi os seguranças caírem. Eu tentei correr… — a voz falhou — …mas não consegui.
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
Bianca sentiu o impacto da cena sem precisar de mais detalhes.
— Eu gritava. — Valentina continuou. — Gritava tant