O som do tapa ecoou pela sala.
Não foi um som alto.
Foi um som definitivo.
Clara sentiu o impacto atravessar o rosto e alcançar algo mais profundo — não a pele, mas o orgulho. O corpo reagiu em atraso. Os joelhos cederam. Ela caiu sobre o tapete claro, as mãos escorregando no chão polido enquanto tentava se manter ereta.
O gosto de sangue veio rápido.
Vitória permaneceu de pé.
Impecável.
Vestida como se estivesse prestes a receber convidados importantes, não a punir alguém que acabara de falhar. O vestido escuro caía perfeitamente sobre o corpo. As joias eram discretas. O cabelo, arrumado com rigor. Nada nela denunciava fúria — apenas controle.
— Sua inútil. — disse, em tom baixo. — Eu te avisei.
Clara manteve a cabeça abaixada.
Não por submissão.
Por estratégia.
— Eu te disse que não haveria segunda chance. — Vitória continuou, caminhando devagar pela sala. — Uma. Única. O tipo de oportunidade que não se repete.
Clara respirou fundo.
O rosto ardia. O peito também.
— Senhora… — começo