O quarto estava quieto demais. Quieto daquele jeito hospitalar, onde o silêncio não é paz — é vigilância. O ar cheirava a antisséptico e metal. As luzes estavam baixas, mas os monitores não dormiam. Bip… bip… bip… como um lembrete constante de que Valentina ainda estava ali… por um fio de normalidade.
Rafael também.
Ele permanecia sentado ao lado da cama há horas. A postura rígida tinha cedido em algum momento, não por relaxamento — por exaustão. O paletó estava pendurado na cadeira ao lado, a gravata jogada sem cuidado, como se ele tivesse arrancado de si qualquer coisa que lembrasse controle.
Mas os olhos… os olhos dele não tinham descanso.
A cada micro som, ele se endireitava.
A cada movimento mínimo do lençol, ele prendia a respiração.
E então… aconteceu.
Valentina se remexeu.
Primeiro, um movimento pequeno. Um ajuste de corpo. Um reflexo.
Rafael inclinou-se imediatamente, alerta, o coração batendo forte demais para alguém que jurava não se descontrolar.
— Valentina… — ele disse b