O silêncio voltou a se instalar no quarto depois da última frase de Valentina.
Não foi um silêncio vazio.
Foi um silêncio pesado, carregado de coisas não ditas — e talvez impossíveis de dizer agora.
Rafael permaneceu imóvel por alguns segundos. Não tentou responder. Não tentou se explicar. Qualquer palavra ali soaria como defesa, e ele percebeu com clareza incômoda que não era isso que ela precisava.
Valentina respirava com dificuldade, os olhos úmidos, o olhar perdido em algum ponto entre o presente e o que ainda doía demais para ser passado.
Rafael se afastou meio passo da cama.
Pegou o celular do bolso.
Não desviou o olhar dela ao fazer isso.
Discou um número curto.
— Podem entrar. — disse apenas, baixo, antes de desligar.
Valentina franziu levemente a testa.
A porta se abriu alguns segundos depois.
Bianca entrou primeiro.
Sem pressa. Sem dramatização. Sem o humor nervoso que costumava usar como armadura.
O rosto estava pálido. Os olhos vermelhos denunciavam que o choro já tinha vi