Rafael caminhava à frente, os passos firmes, mas o corpo inteiro em alerta. O cheiro de antisséptico grudava na garganta. Cada porta fechada era uma ameaça. Cada número na parede, um atraso insuportável.
— É aqui. — disse a enfermeira, parando diante da porta.
Rafael assentiu uma única vez.
Empurrou a porta.
O quarto estava mergulhado numa quietude quase irreal.
Valentina estava deitada na cama, o corpo pequeno demais sob os lençóis claros. O rosto pálido contrastava com os hematomas que ainda não tinham tido tempo de amarelar. Um curativo branco cobria parte da testa. Fios saíam do corpo dela, conectados a monitores que piscavam em ritmos controlados — bip… bip… bip…
Rafael sentiu o impacto no peito antes mesmo de respirar.
E então viu.
Enzo estava sentado ao lado da cama.
Uma das mãos apoiada no joelho.
A outra… segurando a mão de Valentina.
Os dedos dela estavam entrelaçados aos dele com força suficiente para denunciar algo que Rafael não tinha visto antes.
O quarto esfriou.
Rafael