O comboio de Rafael parou antes mesmo do portão terminar de abrir.
Ele desceu.
O galpão estava ali — igual às imagens. Concreto gasto. Ferro oxidado. Um lugar feito para apagar pessoas.
Entrou.
O cheiro veio primeiro.
Sangue velho.
Pólvora.
Algo queimado do lado.
Rafael não diminuiu o passo.
O primeiro corpo estava caído próximo à parede lateral.
Depois outro.
E mais outro.
Homens espalhados pelo chão como peças descartadas. Máscaras ainda no rosto. Armas largadas onde caíram. Nenhum sinal de fuga organizada. Nenhuma linha defensiva.
— Senhor… — a voz de um dos homens veio baixa. — Isso não está certo.
Rafael não respondeu.
Continuou andando.
O galpão parecia grande demais agora. Vazio demais.
No centro, a lâmpada pendurada ainda balançava, rangendo num ritmo lento, quase hipnótico.Rafael diminuiu o passo sem perceber. O instinto gritava antes da razão alcançar.
Foi ali que ele parou.
O chão estava marcado.
Arranhões profundos no concreto. Manchas irregulares. Um rastro torto que não