CAPÍTULO 81 — TARDE DEMAIS

O comboio de Rafael parou antes mesmo do portão terminar de abrir.

Ele desceu.

O galpão estava ali — igual às imagens. Concreto gasto. Ferro oxidado. Um lugar feito para apagar pessoas.

Entrou.

O cheiro veio primeiro.

Sangue velho.

Pólvora.

Algo queimado do lado.

Rafael não diminuiu o passo.

O primeiro corpo estava caído próximo à parede lateral.

Depois outro.

E mais outro.

Homens espalhados pelo chão como peças descartadas. Máscaras ainda no rosto. Armas largadas onde caíram. Nenhum sinal de fuga organizada. Nenhuma linha defensiva.

— Senhor… — a voz de um dos homens veio baixa. — Isso não está certo.

Rafael não respondeu.

Continuou andando.

O galpão parecia grande demais agora. Vazio demais.

No centro, a lâmpada pendurada ainda balançava, rangendo num ritmo lento, quase hipnótico.Rafael diminuiu o passo sem perceber. O instinto gritava antes da razão alcançar.

Foi ali que ele parou.

O chão estava marcado.

Arranhões profundos no concreto. Manchas irregulares. Um rastro torto que não
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