Gotas.
Primeiro foram só isso.
Pequenas, frias, insistentes — caindo no rosto dela como dedos impacientes tentando despertá-la.
Valentina mexeu a cabeça, um gemido rouco escapou da garganta.
Tudo estava pesado.
O corpo.
Os olhos.
A mente.
Uma dor lenta pulsava no fundo do crânio, como se algo lá dentro tivesse sido desligado à força.
Ela tentou respirar fundo.
O ar veio úmido, salgado… gelado.
A segunda coisa que ela sentiu foi o balanço.
Não suave.
Não acolhedor.
Um balanço irregular, brusco, que fazia seu estômago virar e revirar como se quisesse subir pela garganta.
Valentina forçou os olhos a abrirem.
Um trovão rasgou o céu.
A luz branca do raio iluminou tudo por UM segundo — e o horror caiu inteiro sobre ela.
Ela estava em um barco.
O céu era um monstro de nuvens escuras.
A chuva que antes eram gotas virou jorros.
O vento cortava como navalha.
E o oceano — o oceano estava VIVO.
Ondas batendo contra o casco.
Água invadindo partes do deque.
O barco gemendo como se fosse partir ao m