CAPÍTULO 27 — AS LÁGRIMAS DA SERPENTE

O hospital sempre tinha cheiro de algo entre limpeza e morte.

E naquela sala branca demais, iluminada demais, fria demais, Isabella Moretti parecia uma obra-prima de drama renascentista jogada sobre lençóis caros.

Lençóis nos quais ela se mexia com tanta delicadeza que parecia até ensaio.

A maquiagem borrada — estrategicamente borrada.

O cabelo molhado — estrategicamente desgrenhado.

Os olhos semicerrados — estrategicamente sofridos.

Vittoria Montenegro andava pelo quarto como uma leoa que perdeu o último filhote.

— Minha menina… minha pobre menina… — ela repetia, apertando um lenço no peito. — Isso foi um ataque! Um ataque planejado, Rafael!

Rafael estava de pé, parado no canto, braços cruzados, roupa ainda úmida.

Mas era o rosto dele que chamava atenção.

Aquele rosto cinza de tempestade.

— Ela quase morreu! — Vittoria insistiu. — E tudo por causa daquela… daquela… DESQUALIFICADA que você assinou como esposa!

Isabella apertou os lábios, trêmula o bastante para comover um país inteiro
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