No quarto Valentina se remexia, o corpo virando de um lado para o outro, os lençóis embolados ao redor das pernas como se tentassem contê-la — e falhavam.
Rafael estava sentado na poltrona desde que terminou de ajeitar tudo.
Não tinha coragem — nem explicação lógica — para sair.
Ele observava.
Vigiava.
E pela primeira vez em muito tempo… não sabia o que fazer com as próprias mãos.
Quando a febre chegou forte demais, Valentina começou a murmurar palavras desconexas.
As primeiras foram baixas, quase inaudíveis.
— Bianca… eu… eu não consigo…
Rafael inclinou-se na direção dela.
— Valentina? — chamou, controlado.
Ela não respondeu ao nome. Apenas continuou falando com alguém que não estava ali.
— Cinco… cinco milhões… — sussurrou, a voz falhando. — Ele quer cinco milhões… eu… não tenho…
A mandíbula de Rafael se fechou.
Valentina tremia, os olhos se movendo por trás das pálpebras fechadas.
— Eu não posso pedir pra ele… — choramingou. — …se eu pedir… fico presa… pra sempre… nunca mais saio d