A água engoliu o mundo.
Fria.
Profunda.
Pesada como pedra amarrada ao tornozelo.
Valentina abriu os olhos — mas tudo era borrado, turvo, distorcido.
O coração batia rápido demais, como se tentasse escapar do corpo.
Os sons chegavam abafados, como se viessem de outro planeta.
Um grito.
Outro.
E outro.
A superfície parecia longe. Longe demais.
O ar acabou.
O pânico veio.
Eu vou morrer aqui.
As mãos dela subiram, tentando nadar — mas o corpo não obedecia, porque o trauma falava mais alto que qualquer instinto.
A lembrança da infância. Um corpo batendo na água. Um clarão.
Isabella sendo puxada.
Isabella subindo.
Isabella.
Não Valentina.
A mão que deveria tê-la alcançado passou longe.
E o mundo de Valentina escureceu um pouco mais.
O corpo dela afundou mais um palmo.
O vestido pesado grudava na pele, puxando para baixo.
Os sapatos escorregavam.
Os pulmões ardiam.
Até que— Braços fortes a envolveu.
Um segurança da mansão a agarrou pela cintura e a puxou para cima, rompendo a superfície com