CAPÍTULO 26 — A QUEDA

A água engoliu o mundo.

Fria.

Profunda.

Pesada como pedra amarrada ao tornozelo.

Valentina abriu os olhos — mas tudo era borrado, turvo, distorcido.

O coração batia rápido demais, como se tentasse escapar do corpo.

Os sons chegavam abafados, como se viessem de outro planeta.

Um grito.

Outro.

E outro.

A superfície parecia longe. Longe demais.

O ar acabou.

O pânico veio.

Eu vou morrer aqui.

As mãos dela subiram, tentando nadar — mas o corpo não obedecia, porque o trauma falava mais alto que qualquer instinto.

A lembrança da infância. Um corpo batendo na água. Um clarão.

Isabella sendo puxada.

Isabella subindo.

Isabella.

Não Valentina.

A mão que deveria tê-la alcançado passou longe.

E o mundo de Valentina escureceu um pouco mais.

O corpo dela afundou mais um palmo.

O vestido pesado grudava na pele, puxando para baixo.

Os sapatos escorregavam.

Os pulmões ardiam.

Até que— Braços fortes a envolveu.

Um segurança da mansão a agarrou pela cintura e a puxou para cima, rompendo a superfície com
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