A água engoliu o mundo.
Fria.
Profunda.
Pesada como pedra amarrada ao tornozelo.
Valentina abriu os olhos — mas tudo era borrado, turvo, distorcido.
O coração batia rápido demais, como se tentasse escapar do corpo.
Os sons chegavam abafados, como se viessem de outro planeta.
Um grito.
Outro.
E outro.
A superfície parecia longe. Longe demais.
O ar acabou.
O pânico veio.
Eu vou morrer aqui.
As mãos dela subiram, tentando nadar — mas o corpo não obedecia, porque o trauma falava mais alto que qualq