A ala reservada de Rafael estava em pleno funcionamento.
A mesa ampla da sala havia perdido qualquer traço de organização estética — papéis espalhados em camadas, pastas abertas, contratos marcados com anotações firmes. Dois notebooks ligados ao mesmo tempo, um com gráficos financeiros, outro com relatórios internos da Montenegro Corp, o celular vibrava em intervalos curtos, sempre ignorado.
Rafael estava sentado no sofá de couro, o paletó jogado ao lado, mangas da camisa dobradas, expressão fechada. Falava ao telefone em inglês, a voz controlada, precisa, como se nada no mundo pudesse tirá-lo daquele eixo.
— Não. Esse prazo não é negociável. Se eles não cumprirem, nós saímos da mesa. — fez uma pausa curta, escutando. — Não me interessa o histórico. Me interessa o agora.
Moreira estava em pé, a alguns metros, tablet em mãos, acompanhando tudo em silêncio.
Foi então que bateram à porta.
Não foi um toque casual.
Foi firme. Contido. Formal demais para ser ignorado.
Rafael não se virou de