O carro parou em uma rua que não parecia cenário de cartão-postal.
Nada de letreiros luminosos disputando atenção, nem multidões com câmeras penduradas no pescoço. Ali, Tóquio era mais baixa, mais contida, quase tímida. Prédios antigos conviviam com fachadas modernas, pequenas lojas se enfileiravam como segredos compartilhados apenas entre quem sabia procurar.
Valentina desceu do carro com a bolsa no ombro e o celular já na mão.
O motorista ficou a alguns metros, discreto, atento — invisível como segurança bem treinado costuma ser.
O telefone vibrou.
Chamada de vídeo: Bianca.
Valentina sorriu antes mesmo de atender.
— Preparada, senhorita Kato, para andar comigo por Tóquio? — provocou, girando a câmera devagar.
Do outro lado da tela, Bianca deu um pulo tão exagerado que quase saiu do enquadramento.
— SIMMMMM! — gritou. — Meu Deus, eu estou andando por Tóquio sem sair do sofá, isso é tecnologia, isso é justiça poética!
Valentina riu alto.
— Prometo não te fazer passar vergonha internac