O retorno à casa Yamamoto foi silencioso. O carro deslizou pelos portões com a mesma precisão de sempre, os lanternins acesos marcando o caminho como sentinelas imóveis. Valentina observava tudo pela janela, mas já não enxergava o jardim, nem as pedras, nem a água perfeitamente controlada. Algo dentro dela tinha ficado pesado demais para apreciar beleza.
Hana se despediu com carinho genuíno.
— Obrigada pela companhia hoje, Valentina. — disse, segurando-lhe as mãos por um instante a mais do que o protocolo exigia. — Foi… especial.
Valentina sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos.
— Foi mesmo. Obrigada por dividir tanto comigo.
Hana assentiu, como quem entende mais do que foi dito, e seguiu pelo corredor oposto.
Valentina caminhou até a ala reservada sentindo o peso da casa crescer a cada passo. Não era hostilidade. Era estrutura demais. História demais. Destinos decididos antes mesmo do nascimento.
Entrou no quarto.
Fechou a porta com cuidado.
E ficou parada.
Por longos segundos.