A porta do quarto se abre com tanta força que o impacto ecoa pelo corredor. O barulho é seco, duro, quase como um tiro, e por um instante tudo parece estremecer a madeira, as paredes, o ar… e a própria alma de Rosália.
Ela grita.
É um grito curto, mas cheio de terror.
Aquele tipo de som que denuncia que o medo já estava ali antes mesmo de eu entrar.
Meus passos avançam pelo quarto como sombras tomando espaço. A cada movimento, ela recua um pouco mais na cadeira onde estava sentada, o rosto pálido, completamente tomado por pânico, aquele pânico que ela já sente antes de eu dizer qualquer coisa.
— Luciano?
A voz dela falha, rachada de medo.
Eu não respondo.
Não consigo.
Não quero.
Há momentos em que a raiva me engole tão completamente que falar seria uma forma de misericórdia… e hoje não há misericórdia. Hoje não existe espaço para bondade.
Hoje é o dia em que o predador dentro de mim assume o controle.
Ela se levanta, tremendo tanto que parece prestes a desabar. Ela sabe o que está vin