Não percebo que estou acariciando o cabelo dela até o momento em que Rosália se inclina no meu toque suave, lenta, quase inconsciente como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. O gesto me atravessa em cheio.
Meu corpo reage antes que minha mente organize qualquer pensamento lógico.
E é por isso que eu luto tanto contra o que sinto.
Porque tudo nela parece um truque… uma armadilha invisível e irresistível.
Convencer meu coração? Não é fácil. Convencer meu corpo? Impossível.
A forma como a respiração dela se mistura à minha, como o calor dela toca minha pele, como cada suspiro parece desenhado para me quebrar… tudo isso me ameaça por dentro.
E, mesmo assim, eu toco o cabelo dela de novo.
E ela se aproxima de novo.
Meu peito aperta, carregado de raiva e desejo, porque parte de mim quer que seja real. Quero acreditar que ela se entrega desse jeito porque sente o mesmo que eu. Outra parte a mais racional, a mais ferida repete que ela está usando isso para me dominar.
Mas quando e