O tremor no corpo de Felicia continua mesmo depois que ela me solta, como se a pele dela ainda carregasse o impacto do medo que a acompanhava quando me encontrou debatendo com meus próprios fantasmas. Ela respira fundo algumas vezes, tentando se recompor, mas o ar não entra de forma uniforme; ele invade seus pulmões aos solavancos, denunciando a tensão que ela tenta esconder atrás de uma postura firme.
Eu observo tudo em silêncio.
É estranho perceber como minha própria irmã teme o que posso me tornar quando o passado me arrasta de volta para dentro dele como se eu fosse uma bomba-relógio caminhando pela Mansão, prestes a explodir a qualquer momento.
— Por favor, Luciano… Ela murmura, ainda trêmula. Não faça isso de novo. Eu não aguento te ver assim.
Sua voz vacila no fim, e eu sinto a pressão em meu peito aumentar.
Não sei lidar com isso.
Nunca soube.
Nunca aprendi a consolar ninguém, muito menos a própria irmã, a única pessoa que realmente tentou ser alguma espécie de família d