As últimas noites tinham sido torturantes, mas ainda assim eu havia conseguido dormir não profundamente, não em paz, mas pelo menos o suficiente para que meu corpo se apagasse pela exaustão. Porém, naquela noite específica, o sono não veio. A escuridão do quarto era sufocante, as sombras pareciam vivas, e minha mente se recusava a me dar descanso.
Eu virei e revirei sob o lençol fino, tentando fechar os olhos, mas toda vez que minhas pálpebras se encontravam, eu via o rosto de Luciano, não o rosto que eu conheci durante anos… mas o rosto marcado pelas cicatrizes que ele carregava agora.
Eu via a raiva, a dor, a acusação.
Eu via a alma quebrada de um homem que eu já amei de uma forma ingênua e quase infantil.
E o pior de tudo é que ele acreditava que eu tinha nojo dele.
Aquelas palavras dele ainda perfuravam meu peito como facas.
Mas como eu poderia fazê-lo entender que não era nojo?
Nunca foi nojo.
Era medo.
Era choque.
Era desespero.
Era a dor de vê-lo tão perdido… e t