Ele beija minha testa com cuidado, como se aquele gesto precisasse ser guardado, e então se afasta. Fica de pé ao meu lado, ajeitando o cinto com calma, enfiando a camisa de volta por dentro da calça, recuperando aos poucos a postura de homem que carrega o peso de muitas decisões.
— Tenho que trabalhar um pouco diz, a voz baixa.
Solto um suspiro sem conseguir evitar.
— Você está sempre trabalhando.
Ele me olha por cima do ombro, como se quisesse dizer algo a mais, mas segura.
— Sábado à noite vamos jantar na Facção informa. É um evento menor do que aquele último.
Meu corpo reage de imediato. Apoio-me nos cotovelos, franzindo a testa. A lembrança do baile ainda está viva demais em mim. O peso dos olhares, a tensão no ar, o medo que precisei engolir com dignidade.
— Eu tenho que ir? Pergunto, mesmo já conhecendo a resposta.
— É importante estarmos lá juntos.
Ele faz uma pausa curta, quase imperceptível, mas eu sinto. Hesitação. Cálculo.
— Pelo bem da minha irmã.
Meu coração dá um salt