Vittorio me olha da cadeira de rodas com aqueles olhos que um dia me pareceram firmes, sábios… e que agora não passam de poços fundos e cansados. É estranho desconfortável até perceber que ele não é mais nem metade do homem que eu me lembrava. A pele dele parece mais fina, quase transparente. Os músculos murcharam. O corpo que antes parecia impossível de derrubar agora está fragilizado, dependente… humano demais.
E eu odeio sentir qualquer coisa por isso.
Houve um tempo em que sentei ao lado dele por horas, ouvindo cada palavra sua como se fossem verdades universais. Ele me ofereceu um tipo de afeto torto, mas que, na época, eu estava desesperado para ter. Me elogiou, me chamou de brilhante, prometeu que eu seria o sucessor perfeito. Disse que eu era como um filho espiritual.
E eu, idiota, acreditei.
Agora, olhar para ele me dá enjoo. Me faz lembrar de todas as mentiras, todas as manipulações que me moldaram.
— Luciano… ele murmura, com a voz fraca, quase rouca.
A enfermeira aproxim