A enfermeira apenas acena com a cabeça, com aquele olhar meio assustado e meio curioso que as pessoas fazem quando percebem que entraram no meio de algo grande demais pra elas. Ela olha pra mim uma última vez rápido, quase como se estivesse pedindo desculpas com os olhos e sai praticamente correndo porta afora. O barulho da porta se fechando ecoa no quarto silencioso, e é só aí que eu viro devagar, muito devagar, para encarar Luciano.
Os olhos dele já estavam em mim.
Parados.
Firmes.
Quase queimando.
Eu não falo nada de imediato. Minha garganta dá um nó tão grande que falar se torna impossível. Um simples respirar já dói. Eu tento puxar minhas mãos, erguer um pouco mais os braços, mas as tiras de couro apertam e me lembram cruelmente que estou presa ali.
— O que está acontecendo? Minha voz sai fraca, falhada, quase um sopro.
Ele puxa a cadeira devagar, arrastando as pernas pelo chão num barulho que me arrepia inteira. Senta-se. Cruza o olhar comigo como se estivesse decidido a não pi