Os dias têm passado de um jeito estranho, pesado, quase sufocante. Eles escorrem pelos meus dedos como dia viram noite, depois viram madrugada, depois, sem que eu perceba, se transformam em semanas inteiras que desaparecem como se nunca tivessem existido. E eu sigo aqui, trancado dentro do meu escritório como um animal ferido que procura um canto escuro para lamber as próprias feridas.
É ridículo, mas é a verdade.
A maior parte do tempo eu alterno entre trabalhar compulsivamente e reler cada detalhe dos relatórios sobre Henrique. Cada vírgula. Cada foto. Cada movimento dele. Ele é uma ponta solta, um problema respirando, uma ameaça de carne e osso. Um maldito Lucchese que deveria ter sido eliminado no mesmo dia em que abriu os olhos pra esse mundo. Gente assim só faz estrago e eu sei exatamente o que precisa acontecer.
Penso nisso o dia inteiro…
E sonho com isso a noite inteira.
Em como vou colocá-lo de joelhos.
Em como vou sangrá-lo lentamente.
Em como vou torturá-lo até arrancar ca