Capítulo 127

O barulho que ecoou no quarto ainda estava preso na minha cabeça, como se tivesse estalado dentro da minha pele. Era o tipo de som que você sabe que muda alguma coisa por dentro, porque eu senti, na carne, que nada entre nós ia voltar ao normal. Nunca mais. Talvez.

Eu nem sei como começo a explicar o que aconteceu depois. Só sei que, quando ele ergueu o braço de novo, segurando o cinto como se fosse parte do próprio corpo, meu estômago virou gelo e fogo ao mesmo tempo. O couro bateu na minha pele e eu perdi o ar. Eu já não sabia se gritava de dor, de raiva, de medo ou de tudo misturado. Parece que meu corpo decidiu responder sozinho, como se quisesse jogar pra fora tudo que eu estava engolindo há tempo demais.

Ele continuou. E eu continuei reagindo. Meu Deus… eu me odiava por reagir.

Eu ouvi minha própria voz dizendo coisas que nem sabia de onde vinham. Eu falei que ele não tinha coragem de olhar pra mim. Porque era isso que doía: ele escondia meu rosto, como se ver meus olhos fosse p
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