Capítulo 108

Incêndio.

Fogo nos meus pulmões. Fogo na minha pele. Parece que estou respirando brasas vivas enquanto a fumaça preta se enrola no meu corpo como se tivesse mãos próprias. Eu rastejo, arrasto meu corpo mole, sem força, tentando achar… não sei. Uma saída. Uma voz. Uma razão pra continuar.

Os gritos estouram no ar, rasgando meus ouvidos. Estão por todos os lados. Gritos dos homens que estavam comigo segundos antes. Gritos que eu conheço, mas não consigo alcançar. Tudo parece estranho, distorcido, como se eu fosse o único vivo dentro de um pesadelo.

Chamo meu irmão. Chamo meu pai. Chamo qualquer nome que minha memória consegue puxar no meio da dor. Mas as respostas nunca vêm.

O cheiro de carne queimando se mistura ao som do metal rangendo. Não pode ser real. Não pode. Mas a dor fervendo no meu corpo jura que é.

— Luciano…

Meu nome bate na minha mente, como se tivesse vindo de muito longe. Eu rosnaria se tivesse força. A fumaça entra e arranha minha garganta por dentro, sufocando qualquer
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