Mundo ficciónIniciar sesiónCapítulo 5
A noite já tinha caído em Monte Ravello quando o Royce preto de Samuel atravessou os portões de ferro do condomínio. As grades se abriram sozinhas, reconhecendo o carro por sensores de última geração. Ele seguiu pelo caminho iluminado que levava até Sua residência no ponto mais alto da montanha. Lá de cima, a vista era de tirar o fôlego. Dava para ver a cidade inteira brilhando lá embaixo, como um tapete de estrelas. Para Samuel, aquelas luzes eram apenas dados. Ele era o dono dos programas que faziam metade daquela cidade funcionar. Samuel estacionou o Royce diante da mansão de pedra clara. Assim que ele desligou o motor, uma voz grave e calma soou pelos alto-falantes de alta fidelidade do carro. Era o Sirius, a inteligência artificial que Samuel criou para gerenciar seu império e sua vida. — Bem-vindo ao lar, Senhor — disse Sirius. — O sistema da BeauTech terminou de analisar o contrato com os Avelar. Não existem erros. Samuel deu um suspiro pesado enquanto saía do carro luxuoso. — Ótimo, Sirius. Transfira os detalhes para o meu computador privado. E mude o sistema da mansão para o modo de privacidade total. — Entendido. Já desliguei todos os microfones externos da casa — respondeu a voz de Sirius, que agora vinha de pequenos alto-falantes escondidos no teto da entrada da mansão. A porta da casa destravou sozinha com um clique eletrônico assim que Samuel se aproximou. Por dentro, a mansão era elegante, mas cheia de tecnologia invisível. Luzes se acendiam suavemente conforme ele caminhava, iluminando apenas o caminho à frente. Samuel entrou na sala de chá e encontrou sua avó, Catarina Beaumont. Ela estava sentada perto da janela, com as mãos na bengala, observando a escuridão lá fora. — Essa sua mania de ter uma casa que fala comigo ainda me assusta, Samuel — comentou a idosa, olhando para um pequeno painel na parede onde o símbolo do Sirius brilhava devagar. — O Sirius é o cérebro da nossa segurança, vovó. Ele é o software mais avançado que já criei. Se ele protege os dados da minha empresa, pode proteger nossa conversa aqui — respondeu ele, servindo-se de um uísque. Catarina ficou séria. Ela sabia que o neto estava escondendo muita dor por trás de tanta tecnologia. Catarina ficou séria e encarou o neto com firmeza. Ela não aprovava o que estava prestes a acontecer. — Samuel, você vai mesmo usar esse casamento para investigar o passado? Vai trazer a filha de Daniel Avelar para dentro da nossa família só por causa de uma suspeita? — perguntou ela, com a voz carregada de preocupação. — Eu preciso chegar perto dele, vovó. O Sirius vai encontrar a brecha que eu preciso para provar que ele teve culpa. Catarina balançou a cabeça negativamente e bateu a bengala no chão de leve. — Pare com isso, Samuel! Essa história ficou no passado. O Daniel não teve nada a ver com o acidente de seus pais. Eu mesma já investiguei a vida dele anos atrás e não achei absolutamente nada. Você está prestes a usar uma menina inocente para alimentar um ódio que só existe na sua cabeça. Samuel apertou o copo de uísque, os nós dos dedos ficando brancos. — A senhora pode não ter achado nada, mas eu vou achar. O Sirius tem acesso a dados que a senhora nem imagina. — O que eu imagino é que você está destruindo a sua própria chance de ser feliz por causa de um fantasma — rebateu Catarina, sem desviar o olhar. Antes que a discussão continuasse, a voz de Sirius soou suavemente na sala, quebrando o clima pesado: — Senhor, os sensores de movimento indicam que Alice acordou. Ela está vindo em direção à sala de chá. A expressão dura de Samuel mudou na mesma hora. A frieza de empresário sumiu para dar lugar a um sorriso terno. Segundos depois, a pequena Alice apareceu na porta, esfregando os olhos com sono. — Samuel? Eu ouvi o Sirius avisando que você chegou... — murmurou a menina, esticando os braços. Samuel se ajoelhou e a pegou no colo com todo o cuidado. — O Sirius não consegue guardar segredo de você, não é, pequena? — brincou ele, dando um beijo na testa da irmã. Ele olhou para a avó e depois para o painel na parede. Com a inteligência do Sirius e o poder do seu império, ele tinha tudo sob controle.






