Mundo ficciónIniciar sesiónLia Cooper acreditava que finalmente havia encontrado o amor. Dois anos entregues de corpo e alma a Bruno — o homem pelo qual abriu mão da carreira, dos sonhos e de si mesma. Dois anos que desmoronaram em uma única noite, quando descobriu que a traição tinha o rosto de quem mais confiava: o homem que amava e a amiga que considerava uma irmã. Mas o destino ainda não havia terminado de cobrar seu preço. Com o coração partido e sem nada para se apoiar, Lia recebe a notícia que a faz desabar de vez: sua avó — a única família que lhe resta, a única luz que ainda existia em sua vida — está internada em estado grave. E o tempo está acabando. Sem dinheiro. Sem saídas. Sem escolhas. Apenas uma proposta. Um homem. Um contrato. Samuel Beaumont não pede. Ele determina. CEO de uma das maiores empresas de tecnologia do país, frio como aço e calculista como uma máquina, Samuel está acostumado a transformar tudo em negócio — inclusive o casamento. Para ele, a união é apenas uma jogada estratégica: conveniente, temporária e completamente sem sentimento. O que ele não calculou foi ela. Porque Lia não é o tipo de mulher que abaixa a cabeça — mesmo quando está de joelhos. E desde o primeiro dia sob o mesmo teto, os dois descobrem que viver juntos é uma guerra declarada: discussões que esquentam o ar, silêncios que pesam, e uma tensão que nenhum dos dois sabe mais se é raiva… ou outra coisa completamente diferente. Entre mentiras que sufocam, segredos que explodem e uma atração impossível de ignorar, eles vão descobrir que o destino tem um senso de humor cruel: Às vezes, a pessoa errada chega na hora certa… e muda tudo.
Leer másCapítulo 1
O celular vibrou sobre a mesa, interrompendo o silêncio tranquilo do pequeno apartamento. Lia Cooper ergueu os olhos do notebook, franzindo levemente a testa. A luz dourada do fim da tarde entrava pela janela, iluminando o ambiente de forma suave, enquanto ela tentava terminar mais uma linha de código no programa que havia começado horas antes. Suspirando, ela pegou o celular distraidamente e percebeu que a mensagem vinha de um número desconhecido. Curiosa, abriu a notificação e leu o conteúdo. “Vá até este endereço agora. Você vai descobrir a surpresa que o homem que você ama preparou para você.” Logo abaixo havia um endereço. Lia ficou olhando para a tela por alguns segundos, sentindo o coração acelerar. O homem que você ama… Só podia ser Bruno. Eles estavam juntos havia dois anos, dois anos em que ela acreditou que finalmente tinha encontrado alguém com quem construir um futuro. Nos últimos dias ele estava estranho, misterioso, sempre dizendo que estava ocupado com trabalho. Talvez fosse isso. Talvez estivesse preparando algo especial. Um pensamento ousado surgiu em sua mente e fez seu coração disparar. Um pedido de casamento. Lia mordeu o lábio inferior, tentando conter o sorriso que ameaçava surgir. Talvez Bruno tivesse decidido surpreendê-la. Talvez aquela fosse a noite que mudaria tudo. Sem pensar muito, ela pegou a bolsa e saiu do apartamento, sentindo uma mistura de ansiedade e felicidade. Durante o caminho, sua mente não parava de imaginar como tudo poderia acontecer. Talvez um jantar especial, talvez flores, talvez um anel escondido no bolso do casaco dele. O simples pensamento fazia seu coração bater cada vez mais rápido. Quando o carro de aplicativo finalmente parou, Lia agradeceu ao motorista e desceu, olhando ao redor. O sorriso que antes iluminava seu rosto desapareceu lentamente quando ela percebeu onde estava. Era um motel. Ela franziu a testa, confusa, olhando novamente para o celular para confirmar o endereço. Estava certo. Uma sensação estranha percorreu seu corpo. Talvez Bruno estivesse apenas esperando ali antes de levá-la para outro lugar. Ou talvez fosse apenas um ponto de encontro. Respirando fundo, Lia começou a caminhar pelo estacionamento iluminado pelas luzes amareladas. Foi então que algo chamou sua atenção. Um carro preto estacionado perto da entrada. O coração dela deu um salto no peito. Ela reconheceria aquele carro em qualquer lugar. Era o carro de Bruno. Um sorriso nervoso apareceu em seus lábios enquanto ela se aproximava devagar, tentando não chamar atenção. Mas assim que a porta do carro se abriu, o sorriso desapareceu completamente. Bruno saiu primeiro, passando a mão pelos cabelos como sempre fazia. Alto, bonito e com aquele ar confiante que havia conquistado Lia desde o início. Mas ele não estava sozinho. A porta do passageiro se abriu logo em seguida, e quem saiu do carro fez o mundo de Lia parar por completo. Sabrina Duarte. Sua melhor amiga desde a adolescência. As duas haviam crescido juntas, compartilhado segredos, risadas e sonhos. Sabrina era praticamente uma irmã para ela. Lia piscou algumas vezes, tentando entender o que estava vendo, como se sua mente se recusasse a aceitar aquela cena. Talvez fosse um mal-entendido. Talvez houvesse alguma explicação para aquilo. Mas então Bruno virou-se para Sabrina, aproximando-se dela com um sorriso que Lia conhecia muito bem. Ele segurou o rosto da jovem com carinho e, sem hesitar, a beijou. O mundo pareceu congelar ao redor de Lia. O ar ficou pesado em seus pulmões e seu estômago se revirou com violência. Por um instante, ela acreditou que estava vendo errado, que aquilo era apenas um pesadelo absurdo. Mas não era. Seu namorado. Sua melhor amiga. Beijando-se como se ela nunca tivesse existido. Dois anos. Dois anos da vida dela dedicados a Bruno. Dois anos acreditando que ele a amava. Uma dor esmagadora apertou seu peito, fazendo seus olhos arderem. Sem perceber, Lia começou a caminhar em direção aos dois. Cada passo era pesado, carregado de raiva, incredulidade e humilhação. Ela precisava confrontá-los. Precisava olhar nos olhos dos dois e perguntar como tiveram coragem de traí-la daquela forma. Mas antes que pudesse dar mais alguns passos, o celular começou a tocar novamente em sua mão. O som estridente ecoou no silêncio do estacionamento. Lia parou abruptamente, respirando com dificuldade. O número era desconhecido. Com as mãos tremendo, ela atendeu. — Alô? Do outro lado da linha, uma voz séria respondeu: — Você é neta da senhora Rosa Avelar? O corpo de Lia ficou rígido. — Sim… sou eu. Houve um pequeno silêncio antes da resposta que fez seu mundo desabar ainda mais. — Sua avó foi levada ao hospital há pouco tempo. Ela sofreu uma crise cardíaca e a situação é delicada. Precisamos que um familiar venha imediatamente. O celular quase escorregou de sua mão. O chão pareceu desaparecer sob seus pés. — O quê? Mas a ligação já havia terminado. Lia não olhou novamente para Bruno. Nem para Sabrina. A traição que havia partido seu coração alguns segundos antes agora parecia distante diante do medo que tomava conta de seu peito. Sua avó era a única família que lhe restava. Sem pensar duas vezes, Lia virou-se e correu para fora do estacionamento, tentando conter o desespero que ameaçava dominá-la. Seu coração batia descontrolado enquanto lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto. Em poucas horas, sua vida inteira havia desmoronado. E Lia Cooper ainda não fazia ideia de que aquela noite era apenas o começo da maior tempestade de sua vida. Porque salvar a vida de sua avó teria um preço.Capítulo 23 Samuel entrou na sede da Beautech como um vendaval de gelo. O silêncio do escritório de vidro, que costumava ser seu refúgio de paz e tecnologia, parecia sufocante naquela noite. Ele caminhou direto para o mini bar de carvalho, servindo-se de uma dose generosa de uísque puro. O líquido queimou sua garganta, mas não foi o suficiente para apagar o rastro do toque de "Isabela" em seu rosto. — Insolente... — Samuel murmurou para as luzes da cidade lá fora, apertando o copo até os nós dos dedos empalidecerem. — Quando se tornar minha esposa e descobrir quem eu realmente sou, ela irá pagar por cada palavra dita naquele bar. Cada insulto, cada toque. Ele ainda sentia o cheiro de álcool e liberdade que emanava dela, uma combinação que o irritava profundamente porque ele não conseguia decifrar. O som da porta automática se abrindo o fez girar bruscamente. Débora, sua assistente, entrou no recinto com passos silenciosos e um olhar atento. — Tudo bem, Samuel? Percebi
Capítulo 22 O bar estava barulhento, cheirando a cerveja e liberdade. Lia dançava com Vitor, sentindo o corpo leve pela primeira vez em meses. As amigas, Camila e Larissa, avisaram que iam ao banheiro, mas Lia recusou ir junto; ela queria apenas continuar girando. Vitor se afastou por um momento para buscar mais uma rodada de bebidas, deixando-a sozinha no centro da pista improvisada. Do lado de fora, ou melhor, das sombras da entrada, Samuel observava a cena tomado por uma raiva que mal conseguia processar. Ver sua futura noiva — a mulher que carregaria o nome Beaumont — dançando de forma tão livre e próxima a outro cara fazia seu sangue ferver. Não era apenas zelo pela reputação; era algo mais primitivo, algo que ele se recusava a nomear. De repente, Lia parou. Seus olhos, levemente nublados pelo álcool, focaram na figura imponente parada perto da porta. Ela arregalou os olhos e começou a caminhar em direção a ele, cambaleando, mas com um sorriso desafiador nos lábios.
Capítulo 21 O pequeno café de esquina, com suas mesas de madeira gastas e cheiro de grãos torrados, parecia o paraíso para Lia. Sentada entre Camila e Larissa, com Vitor vigiando a porta como um cão de guarda, ela finalmente sentiu que podia respirar sem o aperto do espartilho invisível da família Avelar. — Bebe isso, Lia. Você está pálida e com o cabelo todo desgrenhado dessa briga — disse Camila, empurrando uma xícara de café para a amiga. — E agora, desembucha. O que aconteceu com você esse tempo todo? A gente achou que você tinha virado fumaça. Lia olhou para as mãos trêmulas. O que ela poderia dizer? Que estava sendo chantageada pelo próprio pai? Que estava fingindo ser a irmã para casar com um homem que ela nunca vira o rosto? A verdade era perigosa demais para eles. — Eu me perdi, Cami. — Lia olhou para a xícara de café, sentindo o peso da confissão. — Depois da faculdade, eu fui morar com o Bruno. Vivemos juntos por dois anos... Eu realmente pensei que ele estiv
Capítulo 20Caminhando perto da antiga faculdade, Lia ouviu o grito que fez seu sangue congelar. O som de seu nome real, pronunciado com tanta familiaridade, parecia uma alucinação em meio à farsa que vivia.— Cooper! Larissa! Olha ali!Lia parou. Diante deles estavam Vitor, Camila e Larissa. Seus melhores amigos, as pessoas que ela abandonara no auge da sua cegueira pelo Bruno e pela Sabrina. Vitor sorriu por um segundo, o instinto de proteção ainda vivo, mas o olhar das meninas era puro veneno.— Olha só... quem é viva sempre aparece! — disparou Larissa, cruzando os braços com indignação.— E que milagre é esse de você estar sozinha? — completou Camila, com um sarcasmo cortante que atravessou Lia. — Onde está o lixo do seu namorado e a "duas caras" da Sabrina? Eles finalmente cansaram de te usar como capacho ou você que ficou sem utilidade?Lia sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Ela queria explicar, queria gritar que fora enganada, queria chorar no










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