Mundo de ficçãoIniciar sessão
Capítulo 1
O celular vibrou sobre a mesa, interrompendo o silêncio tranquilo do pequeno apartamento. Lia Cooper ergueu os olhos do notebook, franzindo levemente a testa. A luz dourada do fim da tarde entrava pela janela, iluminando o ambiente de forma suave, enquanto ela tentava terminar mais uma linha de código no programa que havia começado horas antes. Suspirando, ela pegou o celular distraidamente e percebeu que a mensagem vinha de um número desconhecido. Curiosa, abriu a notificação e leu o conteúdo. “Vá até este endereço agora. Você vai descobrir a surpresa que o homem que você ama preparou para você.” Logo abaixo havia um endereço. Lia ficou olhando para a tela por alguns segundos, sentindo o coração acelerar. O homem que você ama… Só podia ser Bruno. Eles estavam juntos havia dois anos, dois anos em que ela acreditou que finalmente tinha encontrado alguém com quem construir um futuro. Nos últimos dias ele estava estranho, misterioso, sempre dizendo que estava ocupado com trabalho. Talvez fosse isso. Talvez estivesse preparando algo especial. Um pensamento ousado surgiu em sua mente e fez seu coração disparar. Um pedido de casamento. Lia mordeu o lábio inferior, tentando conter o sorriso que ameaçava surgir. Talvez Bruno tivesse decidido surpreendê-la. Talvez aquela fosse a noite que mudaria tudo. Sem pensar muito, ela pegou a bolsa e saiu do apartamento, sentindo uma mistura de ansiedade e felicidade. Durante o caminho, sua mente não parava de imaginar como tudo poderia acontecer. Talvez um jantar especial, talvez flores, talvez um anel escondido no bolso do casaco dele. O simples pensamento fazia seu coração bater cada vez mais rápido. Quando o carro de aplicativo finalmente parou, Lia agradeceu ao motorista e desceu, olhando ao redor. O sorriso que antes iluminava seu rosto desapareceu lentamente quando ela percebeu onde estava. Era um motel. Ela franziu a testa, confusa, olhando novamente para o celular para confirmar o endereço. Estava certo. Uma sensação estranha percorreu seu corpo. Talvez Bruno estivesse apenas esperando ali antes de levá-la para outro lugar. Ou talvez fosse apenas um ponto de encontro. Respirando fundo, Lia começou a caminhar pelo estacionamento iluminado pelas luzes amareladas. Foi então que algo chamou sua atenção. Um carro preto estacionado perto da entrada. O coração dela deu um salto no peito. Ela reconheceria aquele carro em qualquer lugar. Era o carro de Bruno. Um sorriso nervoso apareceu em seus lábios enquanto ela se aproximava devagar, tentando não chamar atenção. Mas assim que a porta do carro se abriu, o sorriso desapareceu completamente. Bruno saiu primeiro, passando a mão pelos cabelos como sempre fazia. Alto, bonito e com aquele ar confiante que havia conquistado Lia desde o início. Mas ele não estava sozinho. A porta do passageiro se abriu logo em seguida, e quem saiu do carro fez o mundo de Lia parar por completo. Sabrina Duarte. Sua melhor amiga desde a adolescência. As duas haviam crescido juntas, compartilhado segredos, risadas e sonhos. Sabrina era praticamente uma irmã para ela. Lia piscou algumas vezes, tentando entender o que estava vendo, como se sua mente se recusasse a aceitar aquela cena. Talvez fosse um mal-entendido. Talvez houvesse alguma explicação para aquilo. Mas então Bruno virou-se para Sabrina, aproximando-se dela com um sorriso que Lia conhecia muito bem. Ele segurou o rosto da jovem com carinho e, sem hesitar, a beijou. O mundo pareceu congelar ao redor de Lia. O ar ficou pesado em seus pulmões e seu estômago se revirou com violência. Por um instante, ela acreditou que estava vendo errado, que aquilo era apenas um pesadelo absurdo. Mas não era. Seu namorado. Sua melhor amiga. Beijando-se como se ela nunca tivesse existido. Dois anos. Dois anos da vida dela dedicados a Bruno. Dois anos acreditando que ele a amava. Uma dor esmagadora apertou seu peito, fazendo seus olhos arderem. Sem perceber, Lia começou a caminhar em direção aos dois. Cada passo era pesado, carregado de raiva, incredulidade e humilhação. Ela precisava confrontá-los. Precisava olhar nos olhos dos dois e perguntar como tiveram coragem de traí-la daquela forma. Mas antes que pudesse dar mais alguns passos, o celular começou a tocar novamente em sua mão. O som estridente ecoou no silêncio do estacionamento. Lia parou abruptamente, respirando com dificuldade. O número era desconhecido. Com as mãos tremendo, ela atendeu. — Alô? Do outro lado da linha, uma voz séria respondeu: — Você é neta da senhora Rosa Avelar? O corpo de Lia ficou rígido. — Sim… sou eu. Houve um pequeno silêncio antes da resposta que fez seu mundo desabar ainda mais. — Sua avó foi levada ao hospital há pouco tempo. Ela sofreu uma crise cardíaca e a situação é delicada. Precisamos que um familiar venha imediatamente. O celular quase escorregou de sua mão. O chão pareceu desaparecer sob seus pés. — O quê? Mas a ligação já havia terminado. Lia não olhou novamente para Bruno. Nem para Sabrina. A traição que havia partido seu coração alguns segundos antes agora parecia distante diante do medo que tomava conta de seu peito. Sua avó era a única família que lhe restava. Sem pensar duas vezes, Lia virou-se e correu para fora do estacionamento, tentando conter o desespero que ameaçava dominá-la. Seu coração batia descontrolado enquanto lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto. Em poucas horas, sua vida inteira havia desmoronado. E Lia Cooper ainda não fazia ideia de que aquela noite era apenas o começo da maior tempestade de sua vida. Porque salvar a vida de sua avó teria um preço.






