Amara
A cidade rugia ao longe como uma fera cansada. Do alto da cobertura, as sirenes pareciam gritos presos em vidro. Eu fechei a varanda, baixei as luzes e transformei a sala em um lugar de cura, mesa baixa, toalha branca, sal, água, o cristal que guardo desde a adolescência, e uma gota do meu sangue para selar. Damian respirava pesado no sofá, febre morna na pele, o curativo do flanco esquerdo puxando a cada suspiro.
— Fica comigo, amor — pedi, encostando a testa na dele. — Só mais um pouco.