ANALU
O beijo não foi doce.
Foi uma conflagração.
Foi o estilhaçar de todos os meus bons propósitos, o incêndio de todas as pontes que eu tentara construir entre a mulher que eu era e a mulher que eu deveria ser.
Seus lábios eram ásperos, seu gosto era de tabaco e verdade amarga, e suas mãos, aquelas mãos calejadas e sujas de graxa, me seguravam com uma posse que era ao mesmo tempo violenta e desesperada.
Eu tentei recuar, colocar as mãos em seu peito para empurrar, mas meus dedos se recusaram a obedecer. Em vez disso, se agarraram ao macacão áspero, puxando ele para mais perto, como um náufrago se agarrando a um rochedo em meio a uma tempestade.
Ele quebrou o beijo por um segundo, ofegante, seus olhos escuros vasculhando o meu rosto, procurando por resistência, por arrependimento. Encontraram apenas um caos igual ao dele.
— Não — eu sussurrei, mas a palavra soou falsa, um eco fraco de uma convicção que já havia se desintegrado. — Cayo, eu não posso... o noivado...
— Mentira — el