ANALU
O beijo não foi doce.
Foi uma conflagração.
Foi o estilhaçar de todos os meus bons propósitos, o incêndio de todas as pontes que eu tentara construir entre a mulher que eu era e a mulher que eu deveria ser.
Seus lábios eram ásperos, seu gosto era de tabaco e verdade amarga, e suas mãos, aquelas mãos calejadas e sujas de graxa, me seguravam com uma posse que era ao mesmo tempo violenta e desesperada.
Eu tentei recuar, colocar as mãos em seu peito para empurrar, mas meus dedos se recus