ANALU
A aeronave era uma cápsula de pressão e expectativas. Ao meu lado, Humberto segurava minha mão com uma firmeza que deveria ser tranquilizadora, mas que só me fazia sentir como um objeto precioso sendo transportado para seu destino final.
— Finalmente nós vamos noivar, estou tão ansioso, querida — ele disse, seu sorriso perfeito iluminando o rosto simétrico.
Eu retribuí o sorriso, um movimento automático e bem ensaiado, antes de desviar o olhar para a janela. Lá embaixo, nuvens de algodão escondiam o oceano, um vazio branco que espelhava o que eu sentia por dentro.
É isso mesmo que você quer, Ana Luísa? Se casar com o Humberto, ter uma vida pacata, previsível, sem surpresas? Uma vida sem...
A imagem dele surgiu na minha mente sem pedir licença. Cabelos castanhos bagunçados, olhos que misturavam desafio e vulnerabilidade, mãos calejadas que sabiam marcar a minha pele de um jeito que eu nunca consegui esquecer.
Uma pontada aguda, uma saudade tão física que foi como um soco no estôm