CAYO
O cheiro de graxa e gasolina já não era só o cheiro do meu suor, era o cheiro do meu esforço. Da minha conquista. A "Ogro Mecânica", o nome que ela teria achado uma idiotice, mas que eu sabia que a faria sorrir daquele jeito, com o canto dos olhos apertando. A oficina era pequena, só dois boxes, mas era minha. Tinha saído da casa da minha mãe, pegado um empréstimo que me deixará com o nome sujo por uns bons anos, e botado pra funcionar.
O trabalho era o meu refúgio. De dia, metia a mão no motor de moto alheia, consertava o que podia, trocava o que não dava mais. No fim da tarde, — na semana de ficar com meu moleque — pegava o Zyon na escolinha, levava pra minha casa, fazia o jantar, botava ele pra dormir. A rotina era um remédio amargo contra a saudade. Enquanto eu estava me movendo, não pensava nela. Mas aí a noite chegava, o Zyon dormia, e o silêncio da casa vazia era um barulho ensurdecedor.
Era quando eu pegava o celular.
O ritual do idiota — como meus amigos diziam.
📲Eu: Co