ANALU
A imagem dele, de pé no corredor do aeroporto, o rosto marcado por lágrimas e uma dor tão brutal que quase me fez desistir de tudo, era a única coisa que eu via, mesmo com os olhos fechados. O avião subia, a pressão mudava, e uma dor surda se instalava no meu peito, como se algo vital tivesse ficado para trás, no chão frio daquele saguão.
Eu estava indo embora.
Realmente indo.
A decisão, tomada com uma frieza que eu mesma não sabia ser capaz de produzir, agora se materializava no rugido dos motores e no vácuo que se formava entre meu coração e meu país de origem.
Eu ia para o Canadá.
Iria estudar, me formar, me tornar a filha exemplar que meus pais sempre sonharam. A patricinha que deixou para trás uma fase rebelde, um deslize de caráter, um amor impossível por um motoboy qualquer.
Ao meu lado, Humberto apertou minha mão. Seu toque era suave, seguro, estável. Tudo que Cayo não era. Ele não disse nada, e eu apenas permiti que as lágrimas que eu finalmente libertava silenciosament