Cayo
Eu tô na varanda do apartamento, fumando um cigarro que eu jurei que não ia mais comprar. O sol já tá se pondo, laranja e vermelho no céu, refletindo nas janelas dos prédios em volta. Lá embaixo passa carro, moto, gente voltando do trabalho. Vida normal. Mas dentro de mim tá uma bagunça do caralho.
O celular tá na minha mão, aberto na mensagem da Mari que chegou ontem à noite.
📲 Mari: Humberto tá bancando tudo. Advogado caro, investigador particular, laudo psicológico pago. Eles vão jogar sujo, Cayo. Muito sujo.
Eu li umas cem vezes. Cada vez que leio, sinto o ódio subir quente, como óleo fervendo.
Bernardes. Aqueles filhos da puta. O pai da Analu, com aquela cara de superioridade, olhando pra mim como se eu fosse sujeira no sapato dele. A mãe, toda falsinha, chorando na clínica enquanto mandava dopar a própria filha. E o Humberto… aquele nojento de terno caro que acha que pode comprar gente. Eles armaram pra mim. Plantaram joias e dólares na minha casa. Me botaram numa cela fe