Cayo
Eu tô aqui sentado nesse banco duro do fórum, o lugar cheira a papel velho, suor e café ruim de máquina. O ar é pesado, parece que tá todo mundo respirando o mesmo oxigênio reciclado há décadas. Tem gente pra caralho, usando ternos e roupas caras, advogados correndo com pastas grossas, mães chorando em cantos, pais com cara de quem não dorme há semanas. Eu me sinto um peixe fora d’água de novo, camisa social apertada no colarinho, sapato engraxado que machuca o pé, barba feita na correria.