Cayo
Eu tô aqui sentado nesse banco duro do fórum, o lugar cheira a papel velho, suor e café ruim de máquina. O ar é pesado, parece que tá todo mundo respirando o mesmo oxigênio reciclado há décadas. Tem gente pra caralho, usando ternos e roupas caras, advogados correndo com pastas grossas, mães chorando em cantos, pais com cara de quem não dorme há semanas. Eu me sinto um peixe fora d’água de novo, camisa social apertada no colarinho, sapato engraxado que machuca o pé, barba feita na correria. Analu do meu lado, linda mesmo nervosa, mão apertando a minha como se fosse âncora.
O Dr. Roberto Almeida, o advogado que os Bernardes contrataram, tá do outro lado, folheando papéis com calma de quem já viu isso mil vezes. Ele é bom, cara. Cabelo grisalho, voz firme, terno que custa mais que minha moto e minha oficina inteira. Me explicou tudo no caminho pra cá, hoje é a audiência de conciliação, tentativa de acordo antes de virar guerra total. Mas ninguém acha que vai ter acordo. Não com o qu