Gabi
Eu tô sentada nessa cafeteria chique do shopping, mexendo o café com canela que nem pretendo beber. O lugar é todo espelhado, luz branca, mesas de mármore, gente vestindo roupa que custa mais que o aluguel do meu barraco. Eu me sinto uma intrusa aqui, de calça jeans rasgada, cabelo preso de qualquer jeito, maquiagem simples e discreta. Mas foi o Humberto que marcou, e ele gosta dessas merdas de lugar caro pra mostrar quem manda.
Ele chega pontual, como sempre. Terno impecável, relógio brilhando no pulso, perfume que invade a mesa inteira. Nem cumprimenta direito, só puxa a cadeira e senta de frente pra mim, com aquele sorriso que não chega nos olhos.
— Gabi. — A voz dele é baixa, controlada, como se a gente estivesse combinando um negócio qualquer, não falando do futuro do meu filho.
— Humberto — respondo, tentando soar firme.
Meu coração já tá acelerado. Eu odeio precisar dele. Odeio mais ainda saber que preciso.
Ele vai direto ao ponto, sem enrolação.
— O Dr. Otávio Marques ac