Analu
Eu achava que o silêncio era o pior. Cada hora que passava sem ouvir aquela voz rouca me chamando de "princesa" era como uma facada lenta, mas constante. Eu tentava me convencer que era melhor assim. Que o medo que senti quando ele perdeu o controle, partindo pra cima do Felipe, era um sinal de que eu tinha feito a coisa certa ao dizer que acabou.
Mas quem eu estava enganando? O desejo por ele ainda queimava em mim, como uma brasa que não se apagava. Eu lembrava dos toques dele — as mãos firmes na minha cintura, os dedos roçando minha pele de um jeito que me fazia arrepiar inteira — e meu corpo traía minha mente, querendo mais. Queria sentir de novo aquela eletricidade, aquele fogo que só ele acendia. Mas eu me segurava. Pelo menos, era o que eu dizia pra mim mesma.
A rotina do cursinho era minha âncora. Acordava cedo, tomava café com meus pais na mesa impecável de mármore, com Clara servindo o suco de laranja com acerola que eu tanto gostava.
Minha mãe falava sobre seus comprom