Acordei antes do amanhecer, como se meu corpo tivesse aprendido a medir o tempo pelos batimentos que carrego. Não olho mais o relógio quando desperto; encosto a palma no baixo-ventre e escuto, em silêncio, a sinfonia que apenas eu escuto.
Eu prometo proteger vocês.
Jano já não estranha quando me encontra assim, aninhada em mim mesma, um cobertor nos ombros e a janela entreaberta para que o ar frio me acorde sem sustos. Ele se aproxima devagar, beija meus cabelos e fala baixo, como quem respeita um templo.
— Bom dia, minha esposa.
— Bom dia. — respondi, e me peguei sorrindo. O sorriso veio simples, sem esforço, e isso ainda me surpreende.
Não combinamos ser um casal exemplar para ninguém; combinamos, apenas, ser honestos um com o outro. E a honestidade, nesses três meses, foi o nosso primeiro milagre.
Duas semanas depois do casamento, cumprimos o acordo no hospital: exames, assinaturas, aquela luz branca que nunca decide se c