Os dias no escritório se transformaram em uma rotina que comecei a abraçar. Entre planilhas, relatórios e reuniões, descobri uma nova versão de mim — aquela que não dependia de sobrenome ou passado.
Contudo, o que mais me surpreendia era a presença constante de Jano. No início, ele aparecia apenas para entregar documentos, dar revisões ou comentar algo sobre o trabalho.
Mas, com o tempo, nossas conversas se alongaram além do necessário. Passávamos horas trocando ideias sobre estratégias, o comportamento humano e, ocasionalmente, sobre coisas simples — como o gosto dele por café forte e o meu por chá de lavanda.
Certa tarde, ao final do expediente, ele se aproximou da minha mesa, com um leve sorriso no rosto e um olhar que mesclava respeito e curiosidade.
— Trabalha até tarde todos os dias? — perguntou, apoiando-se na lateral da mesa. — Só quando preciso — respondi, fechando o laptop. — Mas hoje, confesso, meu cérebro está pedindo descanso. — Então me co