DORIAN
A maçaneta ainda está em minha mão quando escuto a resposta.
— Pode.
Duas sílabas. Uma permissão. Um convite. Um aviso. Não sei ao certo.
Abro a porta devagar, como se temesse o que vou encontrar do outro lado. E temo. Porque não estou pronto. Porque não tenho defesa contra o que ela é quando baixa a guarda.
A luz do abajur está acesa. Fraca. Amarelada. A única iluminação no quarto. A cortina vibra com o vento de fora, e a chuva tamborila contra o vidro como uma canção insistente. O trov