O aguaceiro martelava o telhado como se quisesse atravessar a telha, compondo uma espécie de sinfonia irregular que me manteve numa fronteira nebulosa entre sonho e vigília. O mundo, lá fora, parecia dissolvido num lençol de névoa e asfalto escuro. Dentro do quarto, um espaço amplo, iluminado apenas pela luz leitosa que entrava pelas frestas da cortina, eu sentia o cheiro distante de madeira encerada e lençóis limpos.
Ainda de olhos fechados, percebi um beliscão leve no calcanhar esquerdo. Outr