MAYA
O silêncio do quarto, após a saída de Arthur, era mais pesado do que qualquer grito. Eu permanecia sentada na cama, as mãos gélidas repousando sobre o dossiê que revelava a anatomia do meu maior pesadelo. Cada folha de papel ali era uma pá de terra sobre a memória do meu pai.
Eu fechei os olhos e, por um instante, o cheiro de madeira e perfume caro de Arthur desapareceu, substituído pelo cheiro de serragem, café coado e o perfume barato de pós-barba que meu pai usava. Eu conseguia vê-lo. V