ARTHUR VALENTE
O visor do celular parecia queimar a palma da minha mão. As palavras de Heitor flutuavam ali, nítidas, gélidas, uma declaração de guerra explícita vinda do homem que me dera a vida e que agora tentava arrancar de mim o que eu tinha de mais sagrado. Senti um gosto amargo na garganta. O ar naquela sala parecia ter congelado por completo.
— Arthur? — a voz de Vincent cortou o meu transe, instável, os olhos dele alternando entre o notebook e a minha palidez. — O que foi? Quem mandou