ARTHUR VALENTE
Há momentos na vida em que o peso do mundo parece desaparecer por completo, substituído por uma calmaria tão densa que chega a doer no peito. Sentado na poltrona ao lado da cama hospitalar de Maya, observando o ritmo lento e compassado da sua respiração enquanto ela dormia, eu finalmente senti que podia baixar a guarda por alguns segundos. A luz fraca da manhã filtrava-se pelas frestas das persianas automatizadas, desenhando linhas douradas sobre os lençóis brancos. Maya parecia