A água fria da bacia escorreu pelo meu pescoço, mas não apagou o eco do sonho.
Aquelas vozes grossas, rasgando o fundo da garganta num idioma que eu não conhecia, ainda grudavam no meu ouvido como lodo. Eu tinha acordado suando frio, a respiração curta, sentindo um peso esmagador no peito. O pior não era o som. O pior era a certeza doente de que a minha cabeça tinha traduzido cada palavra daquele dialeto no escuro.
Esfreguei a toalha áspera no rosto, tentando arrancar o delírio no atrito. Jog