A manhã tinha começado de um jeito tão incomum que até os funcionários mais antigos da empresa soltaram discretos comentários.
Cassio entrou no prédio como quem atravessa o próprio reino. Terno impecável, sorriso fácil, passos leves.
A diferença era absurda.
Nas três semanas anteriores, ele parecia um executivo recém-saído de um terremoto emocional: olheiras fundas, mau humor, silêncio e café.
Muito café.
Quase tóxico.
Mas hoje?
Hoje ele cumprimentou até o segurança da garagem pelo nome.
Pegou o elevador assobiando uma música que ninguém reconheceu.
E, quando chegou ao andar da diretoria, a secretária de Dorian o encarou como quem vê um milagre registrado no ponto eletrônico.
— Bom dia, Natalia! — Cassio disse, abrindo um sorriso de propaganda de pasta de dente.
Natalia piscou.
Duas vezes.
— Bom… dia… senhor Bachinni.
Ele deu um tchauzinho e entrou na própria sala, deixando a porta aberta, mexendo em papéis, abrindo janelas, como se estivesse reorganizando o próprio humor.
Cinco minut