O vento soprava mais forte naquela madrugada, arrastando galhos secos pelo chão como se a própria floresta murmurasse um aviso.
Do lado de dentro do chalé, tudo parecia calmo demais. Calmo de um jeito que deixava o ar pesado, quase parado.
Caio estava na varanda, a lanterna na mão, observando a estrada estreita que desaparecia entre as árvores.
Algo estava errado.
Ele sentia isso no corpo — aquela sensação instintiva que antecede o caos.
— Estranho… — murmurou, franzindo o cenho.
Ele tinha checado a área horas antes.
Não havia marcas de pneus, nem luzes distantes, nada que indicasse que estivessem sendo seguidos.
Mas o silêncio da mata…
Estava errado.
Denso.
Como se todos os bichos tivessem se escondido.
Caio levava a mão ao bolso quando ouviu algo.
Crac.
Um galho quebrando.
Não era o som de um animal — era pesado demais.
Ele ergueu a lanterna rapidamente, iluminando a linha de árvores.
Nada.
Ou pior:
Algo se escondendo atrás do nada.
— Merda… —