A lua quase cheia pairava acima do chalé, iluminando a escuridão com um brilho pálido que parecia anunciar que algo estava prestes a mudar. Camila não conseguia dormir — e, pela primeira vez em dias, o silêncio do chalé não trazia paz. Ele trazia inquietação.
Sentada na beirada da cama, ela acariciava o ventre com movimentos lentos. O bebê mexia pouco naquela noite, como se também sentisse que o ar tinha ficado mais pesado. O relógio marcava quase duas da manhã quando a porta se abriu devagar.
Era Ricardo.
Ele entrou devagar, sem acender as luzes. Apenas a claridade da lua desenhava seus contornos, revelando o cansaço em cada traço do rosto.
— Você também não consegue dormir? — Camila perguntou, suave.
Ricardo deu um pequeno sorriso cansado e balançou a cabeça antes de se aproximar e sentar ao lado dela. Seu corpo exalava um cheiro de chuva e frio; ele havia ficado do lado de fora por um tempo, pensando, remoendo, temendo.
— É como se o mundo estivesse segurando o fôlego — disse ele,