O silêncio do chalé era tão profundo que qualquer ruído parecia um grito.
Ricardo permaneceu imóvel por alguns segundos, o coração batendo forte, olhando para a porta do quarto como se ela pudesse responder ao que estava lá fora.
Mas o som voltou.
Crack.
Um estalo seco, dessa vez vindo da lateral da casa.
A respiração de Ricardo se acelerou.
Ele olhou para Camila — adormecida, exausta, o bebê repousando ao lado dela no bercinho improvisado.
Ele não podia acordá-los com pânico.
Não podia deixá-los expostos.
Devagar, sem fazer barulho, levantou-se. Pegou a camisa que estava jogada na cadeira e a vestiu rápido, os músculos tensos.
Outro som.
Passos.
Lentos.
Cautelosos.
Cercando a casa.
Ricardo sentiu um arrepio subir pela nuca.
Aquela não era a noite para visitas.
Pegou o celular.
Sem sinal.
— Merda… — sussurrou.
Saiu do quarto devagar, fechando a porta sem barulho. Os olhos varreram a sala iluminada apenas pela lua. As sombras alongadas davam ao chalé um ar de esconderijo antigo… preste